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A saudade do que vivemos ou não * Meia noite em Paris

23 Apr

No final de semana fui a um bar que frequento há 10 anos, isso mesmo, desde o tempo do colégio. Foi maravilhoso! Encontrei velhos conhecidos e vou falar – deu uma nostalgia total.

Joguei naquelas máquinas de fliperama, ouvi grandes rock’s, conversei pra caramba, daí me veio aquela: a época da escola e cursinho pré-vestibular foi a melhor.

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Podia ter o cabelo da cor que eu queria, não tinha contas, celular e tudo era mais barato porque era tipo 'comunitário'

Sempre existiu na mente de todos a ideia que determinado tempo na sua vida ou na história geral foi melhor. Normal.

Bem, começou a rolar uma conversa de que tempo bom mesmo tinha sido a era The Doors, Pink Floyd, anos 60 e 70. Tínhamos nascido na época errada, ninguém mais faz rock como arte, ou filmes, a sociedade é mais consumista, pouco senso crítico… e por aí vai.

Mas mencionei que apesar de achar um tempo incrível os anos 60, preferiria ter vivido nos anos 20 e 30. Não tinha rock, mas tinha jazz, Chaplin, Lulu Brooks, pessoas educadas nas ruas, uma revolução nas artes plásticas e na autonomia feminina. Aliás sempre achei que nasci na época errada para não dizer: tenho certeza. Existem tantas coisas que uso ou faço porque ‘sou’ e ‘estou’ no século 21, mas na verdade largaria rapidamente se pudesse.

Então, ontem assistindo ao magnifíco “Meia noite em Paris”, eu tive uma iluminação!

 

Justamente porque Gil (Owen Wilson) é um tipo bem conhecido para mim. Gil é roteirista em Hollywood, nostálgico de um passado que não viveu. É muito bem remunerado porém frustado em não ser um nome reconhecido da literatura americana atual. Ele vive meio alheio aos outros e aos acontecimentos a sua volta e nutre o desejo, a fantasia de morar em Paris. Tem em suas mãos um manuscrito não revelado a ninguém que será o passo em direção ao sonho de ser um grande escritor.

Além da sensação de ter existido um tempo mais empolgante, mais maravilhoso que o seu, Gil parece não pertencer a sua sociedade e as pessoas a sua volta. A noiva é claramente o oposto dele, os sogros (típicos republicanos) o acham maluco, sempre menosprezado uma noite ele encontra com Ernest HemingwayGertrude Stein e Pablo Picasso.

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 As noites daí em diante serão mágicas. Gil ganha segurança para se desenvolver como artista e força para romper com aquilo que verdadeiramente não faz parte dele. No entanto, o mais precioso será reconhecer que todas as épocas produzem grandes gênios, encantamento aos olhos de quem não as viveu. Artistas exelentes viveram na década de 20. Porém, ele está se privando da companhia e influência de novos James Joyce’s  que estão por aí. 

O presente é chato mesmo, é a rotina, mas é a sua hora de fazer a diferença.

 

Mas que seria o máximo estar em 1927 e usar esse figurino na balada de sábado ninguém dúvida!

 Enfim, o filme é ótimo e têm aqueles detalhes presentes nos filmes de Woody Allen, crítica ao especialista chato (que eu chamo de homem enciclopédia), humor em situações inesperadas, crises existenciais… vale a pena conferir.

E, de minha parte, me dei conta do incrível mundo com antibióticos, mulheres com amplos poderes de escolhas, voos comerciais e computadores portateis.