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A Solidão é um elixir – Rilke

4 Jan

A Solidão é um elixir.

A ideia é do poeta tcheco Rainer Maria Rilke. Homem sensato e inteligente, ele apresenta sua sabedoria no livro Cartas a um Jovem Poeta. Cartas que foram trocadas entre ele e um jovem aspirante a poeta na época Franz Kappus, entre 1904 e 1908.

A solidão é pouco valorizada, um tema, às vezes, difícil. É muito temida, por alguns, mas totalmente indispensável para outros. Do meu ponto de vista, ela é necessária sobretudo para conseguir um pouco de organização nesse mundo alucinante. Um lugar onde tudo é “pra ontem”, a supervalorização de coisas supérfluas é impressionante…e etc..etc..etc…

Além da solidão, o livro aborda questões que permeiam a vida de todos e requer atenção a cada trecho. Por exemplo, em relação a independência feminina Rilke profetiza:

 (…) Por certo, as mulheres, em quem a vida se detém, permanece e mora de um modo mais imediato, mais fecundo, mais confiado, devem ter-se tornado seres mais maduros e mais humanos do que os homens. Este, além de leviano – por não o obrigar o peso de nenhum fruto das suas entranhas a descer sob a superfície da vida – é também vaidoso, presunçoso, confuso, e menospreza, na realidade, a quem crê amar…Esta mais profunda humanidade da mulher, consumada entre sofrimentos e humilhações, sairá à luz e virá a resplandecer quando as mudanças e transformações da sua condição externa se houver desprendido e libertado dos convencionalismos alheios ao meramente feminino. Os homens, aqueles que não pressintam esse advento, sentir-se-ão surpreendidos e vencidos. Chegará um dia, que indubitáveis sinais percursores anunciam já de um modo eloquente e brilhante, sobretudo nos países nórdicos, em que aparecerá a mulher cujo nome já não significará apenas algo oposto ao homem, mas sim algo próprio, independente”.

Outra jóia da observação madura e apurada da vida nesta obra de Rilke: O Amor é trabalho, é preciso paciência e aprender todos os dias, como quando se aprende um ofício, a lidar com o outro, a amá-lo.

“O amor de duas criaturas humanas talvez seja a tarefa mais difícil que nos foi imposta”.

Enfim, genial!

Impossível ler correndo, o melhor é ler um pouco a cada noite e sentir os efeitos durante o dia.

Principalmente para aqueles com uma alma sensível, quieta e observadora indico o livro.

Feliz Ano Novo a todos, que tudo seja melhor neste ano.

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Planeta Afeganistão

20 May

Alguns adoram literatura ou filmes ambientados em outros planetas. E eu sempre penso “pra quê?!” Haah-é agora que os nerds me matam – Não, é só uma brincadeira.

O ponto é existem muitos planetas dentro do nosso.

No fim de semana fiz uma  pequena viagem, levei O livreiro de Cabul comigo e entrei em contato com o planeta Afeganistão.

O livro foi um sucesso de vendas no exterior e aqui. Lançado em 2002, ele conta a vida de uma família afegã, seus parentes e vizinhos. As histórias impressionam, principalmente, porque parecem absurdas para quem é de outra cultura.

Mulheres aqui porque tem um homem ocupando o banco do passageiro

 Muitos acontecimentos são surreais como peregrinos que matam um ministro a tapa (sem planejar, o cara tá lá, eles estão revoltados e “bang”!). Ou escolas que fecham porque não há professores (homens) capacitados e mulheres diplomadas para a função não podem atuar, hã?!

Bem, não dá para entender os costumes de um povo com apenas uma leitura. Sem saber as origens, a história do seu desenvolvimento. E há muitas coisas bonitas, a união familiar, o respeito aos mais velhos, a força das pessoas, a vontade de viver apesar da miséria e das guerras.

A festa de casamento é um ritual de quase um dia e é rico em detalhes que representam a nova fase. E, o mais curioso, em algumas regiões a segregação entre homens e mulheres é muito forte e a homossexualidade masculina é aceita. Os homens se casam e têm filhos, mas convivem com outros homens a maior parte do tempo, se tornam amantes e não há mal nisso. É aceitável.

Enfim, o livro é muito bom.