Tag Archives: LITERATURA CONTEMPORÂNEA

Perfume de Gabi na Antologia Literária Cidade

21 Jan

cidade8capa

Meus caros, consegui publicar meu primeiro conto – Perfume de Gabi – e deixo aqui o link para quem quiser comprar a antologia da qual estou participando.

http://literacidade.com.br/livraria/

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Orhan Pamuk, quando fomos apresentados?

10 Nov

Desânimo, correria e afins me afastaram deste espaço nos últimos dias. Mas tanta coisa li e vi que gostaria de compartilhar… Vamos começar pelo livro “Neve”, de Orhan Pamuk (já há um tempo devia isso). Escritor turco sensacional, digo porque, além do talento, a maturidade proporcionou uma sensibilidade e percepção incríveis. Sabe aqueles pensamentos ou desejos que temos vergonha? Que tentamos esconder de nós mesmos no momento em que eles chegam à mente? Pois bem, ele descreve com muita facilidade! E você imagina (eu tive essa impressão) que Pamuk já esteve na sua cabeça ou nos seus sonhos.

É.... esse homem me assustou...

O livro tem umas sacadas sobre religião que, às vezes, nos parece sem sentido porque não vivemos mais em uma cultura altamente religiosa. Por exemplo, o simples fato de questionar Deus é uma grande dor para alguns personagens. Saber se alguém é ateu ou não é outra coisa super importante, até determinante de um relacionamento ou não. E tem, é claro, a questão “véu”.  Mulheres, supostamente, se matam (e matam!) pelo direito de seguir a lei religiosa e esconder os cabelos. Contudo, aos poucos o livro revela mais motivações para os sucídios de jovens em um vilarejo onde o poeta Ka vive todo o seu drama.

A política também é bem tratada no livro. O leitor pode ter uma ideia, mais ou menos, de como é viver em uma democracia influenciada pela religião, o temor de uma guerra a qualquer instante, as brigas com os vizinhos, o ódio de alguns as influências europeias e outros desejando (talvez secretamente) ter nascido no velho continente. Pude ver melhor também a situação dos curdos – o maior povo sem território atualmente, de acordo com alguns estudiosos – o preconceito sofrido por eles, a falta de uma espécie de “lar”, as lutas, desesperos…

Enfim, um livro completo: emoções, ideias, poesia, religião, política, as dificeis relações amorosas…

“Depois que Ka e Ïpek fizeram amor, ficaram na cama
abraçados; por algum tempo, nenhum dos dois se mexeu. O mundo estava
envolto em silêncio.

A felicidade de Ka era tão grande que o abraço parecia durar um tempo
muito longo. Só isso pode explicar por que ele foi tomado de súbita
impaciência e pulou da cama para ir olhar pela janela. Mais tarde, iria
considerar aquele demorado momento de silêncio compartilhado como sua
mais feliz recordação e se perguntaria por que interrompera tão
bruscamente aquela felicidade inigualável, saindo dos braços de Ipek. A
resposta é que ele se deixou dominar pelo pânico. Era como se alguma
coisa estivesse prestes a acontecer do outro lado da janela, na rua
coberta de neve, e ele precisasse estar lá antes que acontecesse”.

“Oh, um escritor devia ser capaz de falar sobre tudo o que é
importante”, disse Necip teimosamente. “Se eu fosse um escritor, iria
querer falar sobre todas as coisas sobre as quais as pessoas não falam”.

“Agora vou lhe dizer o que você estava pensando vinte anos atrás.”

Matar 2 coelhos com uma caixa d’água só

28 Jun

Depois de ler muitos clássicos da litaratura universal, minha prioridade agora são os autores contemporâneos. Hoje descobri mais um nome interessante – Michael Kepp. Um americano no Brasil há 28 anos.

Talvez alguns o conheçam porque ele escreve em grandes jornais nacioanais.

eu ser gringo meio brasileiro

 

O cara é muito engraçado e suas crônicas são um pouco como um retrato nosso (dos brasileiros). Mas falam sobre o jeito americano de ser também. Os textos são curtos e a leitura é fácil e convidativa. Com certeza, uma boa opção para um fim de noite.

Tropeços linguísticos:

“Esses tropeços bilíngües são normalmente só embaraçosos. Quando chamo um pequeno roedor invasor de “cagamundo” ou uso um provérbio como “vou matar dois coelhos com uma caixa d’água só”, os brasileiros se divertem, mas me sinto um “débito” mental.”

Como os brasileiros se esquivam dos compromissos:

“Também não consegui me transformar no “homem cordial” -esse que se esquiva de compromissos chatos com um “vamos ver”, “se der”, ou “pode ser”- ou me transformar naquela espécie híbrida -meio malandro, meio diplomata-, que poderíamos chamar de “morde-e-assopra brasiliensis”. Aquela espécie que se comunica com frases como “eu fico devendo” ou “fica para a próxima” para se livrar de uma dívida ou de um compromisso.
Até hoje, o meu traço mais americano é a minha capacidade de encarar pessoas e situações diretamente e, quando necessário, usar a palavra “não”. Quando eu faço isso, os brasileiros dizem que eu sou “objetivo” –eufemismo do homem cordial para “mal educado”.

Sonhando com sotaque