Archive | October, 2013

Moya Lyubov – Meu amor

21 Oct

Pra quem gosta de animação e dos Impressionistas não pode deixar de assistir o curta “Meu Amor”, do diretor russo Aleksandr Petrov.

Descobri o filme por acaso e me apaixonei pela técnica e sensibilidade. Petrov pintou todas as cenas com os dedos e levou três anos para terminar o curta que narra a história de um adolescente descobrindo o amor, confuso entre a menina da mesma idade, inocente como ele, e uma mulher mais velha, acostumada a muitos amantes.

Impossível não fazer um paralelo com a vulgaridade que domina a maioria das relações entre os adolescente hoje.

Um filme lindo, romântico e suave.

 

 

Morangos Silvestres

15 Oct

“A vida é uma história contada por um idiota, cheia de som e fúria, significando nada”, Macbeth, Shakespeare.

Caminhava outro dia sozinha por uma ruazinha velha quando me deparei com um antigo galpão onde há alguns anos fui em showzinho rock’n’rrroll. “Haaa! Curti muito ali!” e logo me deixei levar por um riacho de lembranças que rápido se tornou um mar, cada passo que dava notava outro detalhe do passado e outro em todos os lugares por onde passava naquela noite. Me senti um pouco como o professor Isak Borg de Morangos Silvevestres – maravilhoso filme de Ingmar Bergman – bem pouco, é claro, já que tenho muito menos acontecimentos para rememorar do que ele. Mas senti.

Lembrei, por exemplo, do temor e fúria que era a minha vida na época da faculdade, quanta energia gasta pra nada! Ou melhor, muito barulho por nada! Um temor desmedido do futuro acompanhado por brigas desnecessárias, rusgas sem sentido. Então, será que é isso envelhecer? Perceber as tolices e não repeti-las?

Isak sabe que está velho. A morte começa a visitá-lo em sonhos, ele se assusta. Porém segue. Seus hábitos são rígidos, sua rotina controlada, ideias já bem sedimentadas. Todavia, enquanto anda pelas cidadezinhas da infância, conhece gente nova, reencontra a mãe, algo vai mudando… Perdoa o antes imperdoável, abriga a jovem nora nunca aceita antes e se permite flertar, sim, – paquerar! – com a senhorinha que há anos cuida de sua casa ( e dele é claro). Enfim, lindo.

 

 

Bem, compartilho o filme sobre o homem que, ao viajar para receber um prêmio, revive, renasce a partir de toda uma vida guardada em suas memórias. Aproveitem.

As consolações da Filosofia

11 Oct

A Filosofia sempre me atraiu e continua a exercer influência na minha vida prática, isso mesmo, muito mais que teoria as ideias de alguns filósofos são ensinamentos pra mim. Assim, outro dia comprei o livro “As Consolações da Filosofia”, do filósofo suíço Alain de Botton, e encontrei preciosidades. O livro traz ideias de Sócrates, Epicuro, Sêneca, Montaigne, Schopenhauer e Nietzsche adaptadas aos problemas comuns do amor ao sofrimento, popularidade e falta de dinheiro. No capítulo sobre Sêneca, por exemplo, a sabedoria do filósofo lembra que as dificuldades são inerentes a existência e nada podemos fazer para nos livrar da ocorrência de situações desagradáveis. Por isso, aceitar o sofrimento não é receber com passividade a dor e sim saber que aceitá-la  é necessário, ao invés de desperdiçar energia lutando contra o impossível.

Uma ideia que nunca esqueci está na história do filósofo estoico Zenão de Cício, fundador do Estoicismo:

“Ao ser avisado sobre um naufrágio e ser alertado para o fato de que sua bagagem havia afundado, Zenão comentou: “A Fortuna me desafia a ser um filósofo menos sobrecarregado”.”

Ah! Genial! Imagina seu prédio pega fogo e você perde todas as suas coisas, daí chega em casa e diz “ah fui desafiado a viver com menos”! Sim, porque os estoicos vivam com muito pouco e carregavam tudo consigo. Logo, todos os seus pertences foram por água abaixo.

Incrível, eu não conseguiria. Por outro lado, admiro profundamente a atitude, reflexo de uma sabedoria invejável.

Se nada temos, se nada nos pertence de verdade, por que a preocupação?

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Embora criticado por alguns estudiosos de simplificar ideias complexas, o livro não é auto-ajuda. Não dita comportamentos ou ideias ao leitor para “melhorar”, “vencer” isso ou aquilo, não se trata disso.  De Botton apresenta apenas alguns pontos de raciocínios complexos e se vai ajudar ou não o leitor já é uma outra história. Talvez, no mínimo, consolá-lo e com certeza despertar o interesse em conhecer melhor o pensamento de grandes mestres.