Archive | November, 2011

O que você sente ao ver essa foto?

25 Nov

Morador de rua no Tatuapé, São Paulo

O fracasso é passageiro

20 Nov

“O fracasso é passageiro”, o ator Paulo José fez a afirmação (ou mencionou a sua constatação) em uma entrevista linda sobre sua vida e carreira.  Ele disse que a peça ruim logo sai de cartaz e ninguém passa muito tempo comentando sobre ela. Mas o sucesso fica noite após noite durante um ano ou mais. É comemorado, lembrado, revivido por outros atores em outro momento…

Nada como ouvir uma pessoa madura e inteligente para te dar um banho de realidade e coragem. (É, como é importante nos cercarmos das pessoas certas, seja amigos ou pessoas a quem admirar).

Sempre simpatizei com esse cara

 Aproveito também para indicar o livro que estou lendo “O efeito sombra”, o médico indiano Deepak Chopra é um dos autores. A obra é outra fonte de lucidez, ela instiga  o leitor a “lembrar” do mal dentro dele. Escrevo lembrar porque, depois de um certo tempo, nós sabemos o que existe de feio em nós mesmos. Mas a gente finge que não existe ou põe a culpa em outra coisa – estresse, tpm, os políticos – e a que eu mais gosto “isso é para minha segurança” kkk.. Pense em quanto coisa mesquinha e egoísta a gente não faz com essa justificativa.

Ainda para completar assisti o Crepúsculo dos Deuses, mais uma vez Billy Wilder era um gênio. A história da atriz do cinema mudo enlouquecida porque está velha e fora dos padrões de uma industria capaz de enlouquecer qualquer mortal, nos faz primeiro ter pena dela por ver uma mulher tão fracassada, tão louca, tão fora da realidade (ela culpa o gosto das pessoas pela fala humana no cinema). Depois você percebe que ela se fecha para o mundo e faz questão de não passar do mesmo ponto “Sou grande, sou maravilhosa! Os outros é que fazem um cinena ruim agora, pequeno demais para mim”, ora aí é a derrocada até a insanidade total.

Ou seja, superar uma perda, um fracasso e seguir a vida é até uma questão de saúde mental! Até porque, como tudo passa, mais a frente uma coisa maravilhosa pode nos acontecer sem que nem tivessemos imaginado. Por estarmos presos a uma ideia fixa.

Cena final monumental! Que atriz!

Só para lembrar: O fracasso é passageiro!

Ou você gostaria de ser uma versão de Norma Desmond?

 

Quanto mais quente melhor, 1959

15 Nov

Quem me conhece sabe que sou apaixonada por filmes antigos. Tenho assistido tantos que tenho até vontade de montar uma coluna específica aqui, só para comentar e indicar.

é..eu sei..eu não sou normal!
 
Hoje assisti “Quanto mais quente melhor”, 1959, um clássico do cinema. Uma coméda muito muito boa.
 
 
 
Dois músicos pobretões presenciam um crime, apavorados pegam o primeiro “bico” que surge. Disfarçados de mulher – Justine e Daphne – viajam com uma banda feminina e se apaixonam pela linda Sugar – Marilyn Monroe. Pronto, confunsão e cenas hilárias até o último diálogo.  Os músicos são Jack Lemmon e Tony Curtis em um filme de Billy Wilder.
 
Wilder tem uns filmes fantásticos, por exemplo, é dele também A Montanha dos Sete Abutres que assisiti há alguns anos.
 
QMQM é uma história simples, muito bem contada, com sensualidade e sem exageros. Pode parecer ingênuo aos olhos de hoje para alguns, mas com certeza é melhor que muita comédia em cartaz todos os anos no cinema. Porque alguns costumes nos parecem infantis hoje. No entanto, a inteligência de um bom filme, de um bom contador de histórias e possível reconhecer em qualquer tempo.
 
 
  
 

 

Na cena final Daphne tenta explicar porque não pode se casar com o senhor milionário:

– “Não sou loira natural”.

– “Eu fumo muito”.

– “Eu não posso ter filhos”.

A tudo o tiozinho diz que não tem problema até ela falar:

– “Eu sou homem”

– “Ninguém é perfeito”. Fala calma e sorridente para a senhorita, quer dizer….

Orhan Pamuk, quando fomos apresentados?

10 Nov

Desânimo, correria e afins me afastaram deste espaço nos últimos dias. Mas tanta coisa li e vi que gostaria de compartilhar… Vamos começar pelo livro “Neve”, de Orhan Pamuk (já há um tempo devia isso). Escritor turco sensacional, digo porque, além do talento, a maturidade proporcionou uma sensibilidade e percepção incríveis. Sabe aqueles pensamentos ou desejos que temos vergonha? Que tentamos esconder de nós mesmos no momento em que eles chegam à mente? Pois bem, ele descreve com muita facilidade! E você imagina (eu tive essa impressão) que Pamuk já esteve na sua cabeça ou nos seus sonhos.

É.... esse homem me assustou...

O livro tem umas sacadas sobre religião que, às vezes, nos parece sem sentido porque não vivemos mais em uma cultura altamente religiosa. Por exemplo, o simples fato de questionar Deus é uma grande dor para alguns personagens. Saber se alguém é ateu ou não é outra coisa super importante, até determinante de um relacionamento ou não. E tem, é claro, a questão “véu”.  Mulheres, supostamente, se matam (e matam!) pelo direito de seguir a lei religiosa e esconder os cabelos. Contudo, aos poucos o livro revela mais motivações para os sucídios de jovens em um vilarejo onde o poeta Ka vive todo o seu drama.

A política também é bem tratada no livro. O leitor pode ter uma ideia, mais ou menos, de como é viver em uma democracia influenciada pela religião, o temor de uma guerra a qualquer instante, as brigas com os vizinhos, o ódio de alguns as influências europeias e outros desejando (talvez secretamente) ter nascido no velho continente. Pude ver melhor também a situação dos curdos – o maior povo sem território atualmente, de acordo com alguns estudiosos – o preconceito sofrido por eles, a falta de uma espécie de “lar”, as lutas, desesperos…

Enfim, um livro completo: emoções, ideias, poesia, religião, política, as dificeis relações amorosas…

“Depois que Ka e Ïpek fizeram amor, ficaram na cama
abraçados; por algum tempo, nenhum dos dois se mexeu. O mundo estava
envolto em silêncio.

A felicidade de Ka era tão grande que o abraço parecia durar um tempo
muito longo. Só isso pode explicar por que ele foi tomado de súbita
impaciência e pulou da cama para ir olhar pela janela. Mais tarde, iria
considerar aquele demorado momento de silêncio compartilhado como sua
mais feliz recordação e se perguntaria por que interrompera tão
bruscamente aquela felicidade inigualável, saindo dos braços de Ipek. A
resposta é que ele se deixou dominar pelo pânico. Era como se alguma
coisa estivesse prestes a acontecer do outro lado da janela, na rua
coberta de neve, e ele precisasse estar lá antes que acontecesse”.

“Oh, um escritor devia ser capaz de falar sobre tudo o que é
importante”, disse Necip teimosamente. “Se eu fosse um escritor, iria
querer falar sobre todas as coisas sobre as quais as pessoas não falam”.

“Agora vou lhe dizer o que você estava pensando vinte anos atrás.”